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Mãos Cheias de Nada

Retalhos dos meus dias tristes...

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10.Jan.18

Futebol...again

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10 de Outubro de 2017, Lisboa, Estádio da Luz - Portugal vs Suíça.

Era o jogo do tudo ou nada para a seleção lusa. Só a vitória nos asseguraria a qualificação directa para o Mundial da Rússia de 2018. Um auto-golo e uma jogada de equipa finalizada por André Silva garantiam o sucesso da Seleção das Quinas, levando a nação ao rubro.  Um doce presente de aniversário para Fernando Santos que perfazia 63 anos. No final, o hino nacional volta a ser entoado no Estádio da Luz, num emocionante momento de comunhão entre adeptos e jogadores. No mínimo arrepiante.

 

O Futebol é isto. É emoção desmedida. É paixão arrebatadora. E é parte integrante da sociedade. Movimenta massas. Como o desporto mundial mais popular, o Futebol é também aquele que mais mexe com a emoção do colectivo. É efectivamente um elemento de comunhão. Há no ser humano, desde os primórdios dos tempos, uma imensa necessidade de pertença a um colectivo, necessidade essa à qual o Futebol dá resposta. Mas tal como essa necessidade também desperta sentimentos primitivos, quase trogloditas, e o instinto fala mais alto. O comportamento equilibrado perde-se. Os gritos, os insultos, a linguagem escabrosa, as superstições, os rituais, surgem numa quase manifestação tribal, que escapa à racionalidade e funda-se uma nova Religião. Na verdade, o Futebol leva o mais céptico e ateu do ser humano a cumprir rituais e a assumir superstições. É aquela camisola que tem que ser usada, o cachecol que o acompanhou em todos os jogos, o local onde se assistiu às vitórias. O Futebol tem qualquer coisa de mágico.

 

Sempre fez parte da minha vida, embora em algumas fases o encarasse de cara trancada. Hoje é difícil ficar indiferente, não só pelo excesso de jogos que passam nas telas lá de casa, mas também por tudo aquilo que representa. Durante o Verão passado, com todos os incêndios e maleitas que assolaram o nosso país, os milhões envolvidos no mercado de transferências, faziam capas de jornal a par dos incêndios...Há que admitir, é insustentável o que este mundo futebolístico, tão à parte da nossa realidade,  movimenta. Fala-se frequentemente que não pode continuar, que não se sabe onde irá parar, mas a verdade é que se ultrapassam tectos e patamares inigualáveis todas as épocas. Com jogadores hiperflacionados e os clubes de cabeça perdida acabaram por se disparar alarmes até na UEFA, pondo em causa as regras de fair play financeiro. Diz-se que irão ser implementadas medidas de forma a reduzir esta loucura colectiva, principalmente em alguns clubes da Premier League (em Inglaterra). Mas o lado negro do Futebol não se fica por aqui e hoje vemos, longe dos relvados, uma tensão crescente em torno de dirigentes e responsáveis que de forma infesta, usurpa o que de mais legítimo tem o Futebol.

 

Felizmente também existe o reverso da medalha. O espírito de solidariedade vai muito para além do meio desportivo. Seja impulsionado por directores de imagem, seja por vontade própria, a verdade é que são cada vez mais os jogadores que manifestam apoios e ajudas a diferentes causas. São muitos os casos de apoios humanitários, sociais e financeiros. Mais uma vez o lado humano sobressai. Basta fazer uma pesquisa internet fora, e encontramos inúmeras situações, por vezes apenas de consolo emocional. Dentro e fora do próprio meio. Casos como o de Bradley Lowery, o menino que comoveu o futebol inglês e se tornou o símbolo do seu clube de coração. Os diversos apoios que o Cristiano Ronaldo tem feito, tornando-o no jogador mais solidário do mundo. E agora o caso de Astori, em que a renovação apenas apalavrada se irá manter e será entregue à família. Gestos que ficam.
Como motor da nossa sociedade o Futebol não pode ficar indiferente. A sua enorme influência é fundamental enquanto fio condutor para o desenvolvimento da solidariedade e responsabilidade social. As campanhas contra a corrupção, o racismo e muitas outras questões, têm um impacto muito maior e positivo na sociedade, quando apresentadas através dos rostos facilmente reconhecidos deste desporto que ultrapassa fronteiras…

 

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