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Mãos Cheias de Nada

Retalhos dos meus dias tristes...

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20.Set.16

Um post diferente

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“Nunca tivemos uma geração tão triste” – Augusto Cury (psiquiatra)

 

Não sendo eu mãe é-me retirado o direito de opinar sobre estas questões, mas não me impede de analisar aquilo que é real, efectivo, alvo de inúmeros estudos e até de análise por parte de psicólogos e educadores. Acompanho de perto algumas novas gerações e é preocupante aquilo a que assistimos no nosso dia-a-dia. O acesso ilimitado à internet e a tanta tecnologia, desde smartphones, redes sociais, videojogos, a imposição de um sem número de actividades, com demasiadas exigências em relação ao futuro, o consumo excessivo, não estarão a criar gerações completamente desprovidas de emoções reais? Hoje as crianças são tratadas na sua maioria de igual forma, como se viessem ao mundo com manuais de instruções integrados. Ainda não falam e tem tablets, ainda não saem sozinhos e já têm telemóveis. Sabem mexer melhor em qualquer computador ou televisão do que a maioria dos pais.

Não se trata de uma crítica aos pais, mas sim a toda uma evolução da sociedade que de algum modo tem que ser reavaliada. Esta evolução trouxe consigo um nível de exigência muito elevado. O consumismo invade os lares diariamente, as necessidades das nossas crianças hoje são demasiadas dispendiosas, e os sacrifícios dos pais para colmatar essas mesmas necessidades são abismais.

É certo que a qualidade de vida dos próprios pais leva a que estas situações sejam crescentes. A falta de meios que obriga a horários prolongados de trabalho, o cansaço físico no final de cada dia, a incapacidade de poder usufruir de férias de qualidade, são tudo condições que limitam a função parental.  Nem todos os pais podem contar com avós que reduzam o número de horas que uma criança passa fora de casa. Entre aulas e todas as actividades extracurriculares, uma criança tem tantas horas de trabalho quanto um adulto, tendo em conta até todas as obrigações que se acrescem quando chega a casa, os tpcs, os banhos, o jantar (sim, porque para os miúdos são obrigações!).  E depois de tudo isto, a exaustão do adulto é superior à da criança, pelo que a televisão, o computador, o tablet ou até o Iphone do pai ou da mãe é uma solução mais que viável para colmatar a nossa falta de paciência e resistência física que só os pequenitos têm.

Augusto Cury refere todas estas situações como preocupantes e geradoras de futuros génios fechados sobre si mesmos, propensos a transtornos psíquicos, gerados pela ansiedade, e pela falta de aprendizagem emocional, sendo a próxima geração totalmente individualista e carregada de interesses pessoais.

E como não alimentar isto, se somos nós adultos e de gerações anteriores tão dependentes de todos estes gadgets e do acesso constante à internet e às redes sociais. Augusto Cury lança o desafio aos pais de se desligarem de tudo isso aos fins-de-semana, de modo a poderem disfrutar das coisas simples da vida com os filhos, numa partilha e apreciação da natureza, do convívio, do contacto humano. Consegue alguém imaginar este desafio aceite pelos pais da nossa sociedade de hoje? Eu tenho as minhas dificuldades…

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